AGOSTO 2025

 

DPOT APRESENTA: POLTRONA REDE POR SERGIO BERNARDES

 


 

O sociólogo Gilberto Freyre defendia que o brasileiro deveria se conectar ao trópico. Neste sentido, achava que não havia nada tão representativo do Brasil e, ao mesmo tempo, universalmente moderno quanto a arquitetura de Sergio Bernardes (1919-2002).

Antes de completar 50 anos, contudo, o arquiteto sentiu que a escala do edifício já não o satisfazia. Pensando no futuro, mirou o urbanismo para resolver problemas planetários. Todavia, não negligenciou a pequena escala: criou bicicletas, barcos e carros. Seus móveis têm a mesma potência de sua arquitetura. Um deles é a enigmática poltrona Rampa, criada em 1975 e editada pela dpot desde 2012, cuja forma não revela o assento. Segundo o autor, a peça responde à angústia existencial das cadeiras, classificadas por Bernardes como melancólicas, pois, quando não estão em uso, clamam pela espera.

A poltrona Rede, por sua vez, reflete a obsessão do arquiteto por estruturas atirantadas, patente sobretudo na cobertura de suas obras-primas, e é o ápice de sua pesquisa sobre redes indígenas. O estudo, iniciado na década de 1950 com estruturas metálicas, evoluiu para móveis fixos na década de 1960, culminando na proposta de um móvel na década seguinte. Constituída de aço inoxidável, madeira e couro, a poltrona é apoiada num sistema de rodízio que a permite girar em torno de seu eixo. Ao conectar tecnologia aos povos originários, é uma espécie de trono da potência tropical brasileira.

 

A partir de agosto de 2025, a poltrona Rede passa a fazer parte da coleção dpot de móveis de autor.