
NOVEMBRO 2025
DPOT APRESENTA: EXPOSIÇÃO GERALDO DE BARROS ,DESIGNER.
“Sempre me interessei pelos meios passíveis de reprodução: fotografia, gravura, cartaz, design”, relatou Geraldo de Barros (1923-1998), aos 57 anos, em entrevista realizada em 1980. Em consequência de seu interesse pela produção em série, que, no final das contas, leva à industrialização, a geometria transpassa sua obra multifacetada.
Vez ou outra, num movimento pendular, seu abstracionismo flerta com o figurativo. Por outro lado, por mais que o ato da criação fosse muitas vezes solitário, o trabalho coletivo o alimentava, sobretudo em função da ideia do papel social da produção artística.
Filho de um pequeno comerciante do interior paulista que empobreceu com a crise de 1929, Barros começou a trabalhar aos 11 anos. Escondido da família, lavava frascos e entregava remédios para uma farmácia. A fascinação pelas transformações químicas da botica o fez montar um laboratório caseiro para suas experimentações. Visando um futuro estável para a cria, seu pai tirou-o da drogaria, conseguindo emprego num banco. Por pressão familiar, cursou administração e finanças em São Paulo e manteve-se por toda a vida como bancário.
A curiosidade artística, contudo, foi despertada pelo irmão mais velho, talentoso desenhista que faleceu aos 21 anos. A perda levou Barros a estudar pintura. Misturando arte e química, pincelava telas aos 18 anos com restos de remédio, assinando-as com um carimbo. Sua inquietude levou-o a fotografia, cuja abstração e geometria impressionaram Pietro Maria Bardi, diretor do MASP, que o convidou a expor. A manipulação de negativos lhe abriu fronteiras e, após realizar a célebre série Fotoformas, ganhou, em 1951, uma bolsa para estudar litografia e pintura em Paris.
Ao retornar a São Paulo ganhou o concurso do cartaz para o IV Centenário e criou seus primeiros móveis, encomendados pelo crítico de cinema Paulo Emílio de Salles Gomes. Ao ser convidado por Ciccillo Matarazzo a fotografar os afrescos de Alfredo Volpi na Capela do Cristo Operário, no Ipiranga, Barros se encantou com a proposta político-religiosa dos dominicanos. Casou-se na capela e aproximou-se do frei, a quem propôs montar uma cooperativa de operários para fabricar móveis modernos.
Além de ser, do ponto de vista social e político, uma experiência única e pioneira no Brasil, a Unilabor produziu peças notáveis assinadas por Barros, que, como designer, era mais um entre os cooperados (ganhava menos de dois salários mínimos por mês). Entre poltronas, estantes, mesas e outras peças, sua produção - que é reeditada pela dpot desde 2004 -, é marcada pela geometria rigorosa, utilizando basicamente aço, madeira e tecido.
A rica produção artística de Barros – que teve papel determinante na introdução do concretismo no país –, possui um segundo capítulo no volume dedicado ao design: a Hobjeto, empresa fundada em 1964 e que o teve como sócio até 1989. Foi a segunda e última oportunidade de criar, além dos móveis, o nome, a logomarca, a publicidade e a estratégia de comunicação da empresa. Se os cantos retos aproximam os móveis da Unilabor da abstração, pode-se dizer, com certa química, que, num movimento pendular, as quinas arredondadas aproximam as peças da Hobjeto do figurativo.
Direção de conteúdo
Baba Vacaro
Curadoria
Baba Vacaro e Fernando Serapião
Expografia
Michelle Jean de Castro e Éder Ribeiro
Lighting design
Estúdio Carlos Fortes
Design gráfico
Júlio Mariutti, Estúdio Logos
Imagens
Arquivo Geraldo de Barros, ©Geraldo de Barros/Instituto Moreira Salles
Agradecimentos
Fabiana de Barros, Michel Favre, Instituto Moreira Salles, Leonardo Finotti, frei Marcos Augusto de Andrade Alexandre/Capela do Cristo Operário
Realização
Dpot
