NOV 2012

Dpot Apresenta: Mobília de Arquiteto

 


 

“Sergio Bernardes não era designer, nem por formação, nem por inserção profissional. no entanto, transitou com bastante desenvoltura pelo território usualmente reservado a essa categoria, atravessando com alguma freqüência a fronteira imaginária que separa arquitetura e design.”Tomo emprestado o trecho acima, escrito por Rafael Cardoso- que abre o capítulo dedicado ao design de produtos do livro “Sergio Bernardes” (Kykah Bernardes, Lauro Cavalcanti (Org.) – Rio de Janeiro : Artviva 2010) – como figura de linguagem representativa da produção de móveis pelos arquitetos brasileiros.Muitos arquitetos transitaram e transitam com grande desenvoltura pelo desenho de produto e grande parte dessa produção não está disponível ao público, por diversas razões. Como editora de design, tenho a oportunidade e o privilégio de conhecê-la, viabilizar sua produção e lançá-la ao mercado. Assim, essa instigante fronteira imaginária que separa arquitetura e design é motivadora de uma das coleções que a Dpot lançará ao longo do próximo ano.Para abrir essa coleção, selecionei passado e presente em dois arquitetos especialistas em quebrar paradigmas, romper barreiras e tradições. E dois produtos cujas formas são totalmente opostas às da tradição do móvel: a poltrona Rampa, de Sérgio Bernardes, e a mesa Zu, de Ruy Ohtake.
Sergio Bernardes (1919-2002) é talvez o maior exemplo da desenvoltura com que um arquiteto pode transitar entre as escalas de projeto – do macro ao micro. Projetou até os mínimos detalhes suas estruturas de grande complexidade, desenhou produtos – de aviões a cadeiras – sempre de forma engenhosa e experimental. No universo do produto, a poltrona Rampa é uma síntese de seu pensamento: autêntica, única, inovadora, liberta de quaisquer formas ou estruturas pré-estabelecidas para essa tipologia de produto. Até hoje – cerca de quarenta anos depois de criada – permanece insuperada.
Pura liberdade de forma e desenho, e igualmente uma síntese do pensamento de Ruy Ohtake é a mesa Zu: lírica, gestual, assimétrica, provocadora. Criada originalmente para a compôr o projeto da residência de um cliente, a mesa toma todo o comprimento da sala. Para passar de um lado a outro, obriga o usuário dar-lhe a volta e perceber, a cada enquadramento, as diferentes nuances da relação espaço-objeto. A peça que apresentamos na coleção Dpot foi editada a partir do fragmento central da curva, que selecionei como uma representação do todo, com propósito de dar-lhe vida própria.

Confira fotos do evento:

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